terça-feira, 8 de maio de 2007

Revisitando Magnólia: Chuva de Sapos, Chave da Curiosidade Humana

Não pretendo fazer deste texto uma resenha ou crítica tardia do filme Magnólia (1999), até porque eu me sinto plenamente satisfeito com aquilo que já foi publicado sobre o filme de P.T. Anderson. Meu objetivo aqui é resgatar um aspecto do filme aplicado a um assunto em particular: a curiosidade humana, a presença do passado e a descontinuidade criativa.

A premissa principal do filme, foi expressa explicitamente mais de uma vez através do longa: “O passado já era para nós, mas não nós para o passado”. De fato, a grande maioria das personagens que se intercalam e interagem na frente da tela são atormentadas pelas suas histórias pessoais e através de atos falhos repetem ações atabalhoadas, carregadas de mágoas e culpas e gerando uma repetição de circunstâncias dramáticas, tristes, nocivas e auto-destrutivas. Existem algumas exceções na trama que dão contraste aos demais personagens e costurarem algumas relações, como o policial que é guiado por um quase ingênuo senso de dever, um enfermeiro compassivo e para interesse do nosso assunto, o garoto considerado um gênio de um programa de auditório, uma pequena enciclopédia ambulante que é visto pelo seu pai e empresário como uma maquininha de dinheiro (o garoto está prestes a ganhar uma bolada de prêmio no programa de auditório).

O garoto é a curiosidade em forma humana... isso explica o fato de saber tanto sobre tantos assuntos, é genuíno seu interesse pelo conhecimento. Em certo momento, ao se dirigir ao estúdio do programa de TV, ele toma uma grande chuva e logo que entra no camarim antes do show, pergunta à assistente apressada, coisas sobre o serviço de metereologia da emissora. A moça, ao mesmo tempo em que o enxuga displicentemente, pergunta se ele quer saber aquilo por causa da tempestade que acaba de tomar, se ele se interessa por tudo o que acontece e arremata antes de sair de cena: “Apenas choveu, simples assim”. A atitude desta personagem secundária é um resumo da atitude dos personagens da trama presos pela premissa do filme. Eles constroem o presente através da repetição do passado, ignorando a emergência das potencialidades do presente, coisa que fascina o garoto, que o torna interessado e aberto ao conhecimento novo.

O filme prossegue em seus dramas até que, diante do pânico e estupefação da maioria das personagens, um fato absolutamente inesperado (e até então impossível) acontece: Uma tempestade de sapos gordos sobre a cidade. Este é um fato novo que não pode passar despercebido por ninguém, e os personagens presos à construção do passado demonstram desnorteio e incredulidade diante do acontecimento. Ficam chocados, não sabem como reagir aquilo, afinal, aquilo não estava presente em seus passados. Em contrapartida, o garoto testemunha este acontecimento com fascínio e exclama: “isso acontece”.

Essa é a chave do filme ao meu entender e é um assunto de grande importância quando tratamos de criatividade.

Whitehead fala sobre o processo de unificação preensiva que explica a continuidade das situações. A preensão é um processo que acontece quando surge o momento presente (circunstância nova), ele “toca” o momento precedente apreendendo ou sentindo-o, herdando suas características e as transcendendo. O momento presente é sujeito, isto é, ele comanda as ações e tem liberdade de fazer inovações à partir da herança do passado. O passado é objeto do momento presente.

Esta teoria encontra ecos correspondentes em teorias como herança genética, autopoiese e morfogenética.

O que importa para o nosso assunto é que o entendimento da continuidade das coisas como preensão do passado e as eventuais descontinuidades que podem surgir no processo, através de inovações no momento presente. As pessoas que estão presas ao passado normalmente não percebem o que pode ser mudado no presente e acabam por estabelecer, inadvertidamente, um comportamento de repetição e rotinas. Ao contrário, aquelas que possuem uma postura curiosa estão atentas às potencialidades inovadoras e as rupturas criativas do momento presente, são capazes de se admirar com as sutilezas que se apresentam e embarcam na locomotiva da história, sendo elas em si, os inovadores e os criativos capazes de mudar o rumo das coisas.

Quem assistiu Magnólia irá se lembrar da primeira vez que viu a famosa chuva de sapos. Como foi a reação? Alguns sairam indignados do cinema, outros ridicularizaram o filme, outros ficaram perplexos, outros se maravilharam de maneira fascinada com aquilo. A reação a esta cena é um bom termômetro para saber qual das atitudes mentais estava no comando naquele exato momento: Um repetidor de passados ou um criador de futuros?


"Eu não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso" Albert Einstein

"Eu não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso" Albert Einstein

Esta visão corresponde a uma versão subjetiva de fenômenos como herança genética, autopoiese e morfogenética, por exemplo.

O que importa aqui é a percepção do quadro da continuidade como preensões do passado e eventuais descontinuidades que podem surgir no presente através de inovações. As pessoas que estão atentas ao passado, normalmente não percebem o que pode ser mudado no presente e acabam por estabelecer um comportamento de repetição do passado. Ao contrário, as pessoas com uma mentalidade curiosa, são aquelas que estão atentas às constantes inovações introduzidas no presente, são pessoas capazes de se admirar, de embarcar na locomotiva, sendo elas em si, capazes de gerar estas descontinuidades.

Quem assistiu Magnólia pela primeira vez irá se lembrar da própria reação perante aquela estranha chuva de sapos, alguns chegaram a sair do cinemas indignados ou ridicularizando o filme enquanto outros se facinaram por aquilo. Essa reação é um bom termômetro para saber que atitude mental estava comandando o observador naquele momento. Um repeditor do passado ou um observador curioso e com potencial criativo?


e as transcendendo. O momento presente é sujeito, ele comanda as ações e tem liberdade de fazer inovações à partir da herança do passado. O passado, neste caso, é objeto.

Esta visão corresponde a uma versão subjetiva de fenômenos como herança genética, autopoiese e morfogenética, por exemplo.

O que importa aqui é a percepção do quadro da continuidade como preensões do passado e eventuais descontinuidades que podem surgir no presente através de inovações. As pessoas que estão atentas ao passado, normalmente não percebem o que pode ser mudado no presente e acabam por estabelecer um comportamento de repetição do passado. Ao contrário, as pessoas com uma mentalidade curiosa, são aquelas que estão atentas às constantes inovações introduzidas no presente, são pessoas capazes de se admirar, de embarcar na locomotiva, sendo elas em si, capazes de gerar estas descontinuidades.

Quem assistiu Magnólia pela primeira vez irá se lembrar da própria reação perante aquela estranha chuva de sapos, alguns chegaram a sair do cinemas indignados ou ridicularizando o filme enquanto outros se facinaram por aquilo. Essa reação é um bom termômetro para saber que atitude mental estava comandando o observador naquele momento. Um repeditor do passado ou um observador curioso e com potencial criativo?

"Eu não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso" Albert Einstein

"Eu não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso" Albert Einstein

e as transcendendo. O momento presente é sujeito, ele comanda as ações e tem liberdade de fazer inovações à partir da herança do passado. O passado, neste caso, é objeto.

Esta visão corresponde a uma versão subjetiva de fenômenos como herança genética, autopoiese e morfogenética, por exemplo.

O que importa aqui é a percepção do quadro da continuidade como preensões do passado e eventuais descontinuidades que podem surgir no presente através de inovações. As pessoas que estão atentas ao passado, normalmente não percebem o que pode ser mudado no presente e acabam por estabelecer um comportamento de repetição do passado. Ao contrário, as pessoas com uma mentalidade curiosa, são aquelas que estão atentas às constantes inovações introduzidas no presente, são pessoas capazes de se admirar, de embarcar na locomotiva, sendo elas em si, capazes de gerar estas descontinuidades.

Quem assistiu Magnólia pela primeira vez irá se lembrar da própria reação perante aquela estranha chuva de sapos, alguns chegaram a sair do cinemas indignados ou ridicularizando o filme enquanto outros se facinaram por aquilo. Essa reação é um bom termômetro para saber que atitude mental estava comandando o observador naquele momento. Um repeditor do passado ou um observador curioso e com potencial criativo?

"Eu não tenho nenhum talento especial. Apenas sou apaixonadamente curioso" Albert Einstein

1 comentários:

... disse...

A mastria traduzido em Magnólia.
Adorei a revisão.